Assinala-se hoje, dia 7 de janeiro, o 115º aniversário de nascimento do escritor Afonso Ribeiro, um dos pioneiros do movimento neorrealista em Portugal, uma corrente literária do século XX marcada por ideologias políticas que descreviam a veracidade social das classes trabalhadoras.
Natural de Vila da Rua, Moimenta da Beira, Afonso Ribeiro foi professor primário, com muitas dificuldades materiais, mas afirmou-se pelo seu talento e coragem. Opositor ao regime político e ideológico vigente, toda a vida sofreu as consequências da sua atitude e irreverência, tendo sido várias vezes preso, sujeito a buscas domiciliárias, alvo de apreensão das suas obras, proibido de exercer o magistério, constantemente perseguido pela PIDE. Emigrou para o Brasil, depois para Moçambique, onde conseguiu restabelecer contactos com diferentes escritores neorrealistas onde divulgaram trabalhos em publicações locais.
Ao regressar a Portugal, após o 25 de Abril de 1974, Afonso Ribeiro continuou a escrever e a publicar as suas obras, colaborou com os jornais Diabo e Sol Nascente e, na revista Vértice.
Em vida, o escritor publicou 14 livros, entre contos, romances e dramaturgia: “Ilusão na Morte” (1938), “Plano Inclinado” (1941), “Aldeia” (1943), “Trampolim” (1944), “Escada de Serviço” (1946), “Maria” (trilogia, 1946, 56, 59), “Povo” (1947), “Da Vida dos Homens” (1963), “O Pão da Vida” (2º romance da trilogia “Maria”- 1956), “O Caminho da Agonia” (3º romance da trilogia “Maria” – 1959), “Três Setas Apontadas ao Futuro” (teatro – 1959), “Os Comedores de Fomes” (1983), “África Colonial” (1983)” e “A Árvore e os Frutos” (1986).”
Afonso Ribeiro faleceu, em Cascais, no dia 13 de dezembro de 1993.