A personagem nua surpreende. Milimetricamente, tem a parte da frente da cor da pele e a parte de trás cor de rosa choque. Ou será ao contrário. Habituamo-nos que o rosto é a parte da frente. Mas Josefa Pereira personifica um monstro. Hidebehind é o nome do espetáculo. Silencioso. Enigmático. Espetáculo que aconteceu no 1º dia do Planalto - Festival das Artes, na Biblioteca Municipal Aquilino Ribeiro, em Moimenta da Beira.
Sem expressão, ela caminha no sentido contrário aos ponteiros do relógio, sem expressão, sem fixar ninguém. De repente as mãos são garras, esticam-se, agarram-lhe o rosto como se a agredissem, ela defende-se. Às vezes parece cansar-se, pois corre mais rápido, foge, mas recupera. Parece lutar contra si mesma. Segundo a performance, o seu habitat é a floresta onde o monstro faz desaparecer pessoas. Quem é o monstro?
Neste primeiro dia do Planalto, na Biblioteca Municipal Aquilino Ribeiro, na conversa com a jornalista convidada, e colaboradora da Câmara Municipal, Denisa Sousa, Josefa esclarece o público: O monstro está nela. Hidebehind são os monstros que se escondem em nós. Nas nossas costas. Sem nós sabermos que os carregamos. “Podes dar um exemplo de um monstro teu?”. “Ainda não sei”. É uma espécie de auto-descoberta. Josefa diz que todos temos “pontos cegos”, coisas que o cérebro cria e que não são realidade.
Quanto à forma de lidar com eles, com os monstros, na vida como na peça artística, é algo que tem de ser feito todos os dias. “Lutar, cansar, mas recuperar sempre”.
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