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Conversa sobre a igualdade de género e direitos da mulher, no último dia do Planalto

05 Setembro 2021

Sob o mote “Feminismos, porquê?”, o Diretor Artístico do Planalto Festival das Artes, Luís André Sá, admitiu conter uma “pequena provocação”.

A conversa, feita no dia de fecho do Planalto, foi sobre os progressos em Portugal no que toca à igualdade de género e direitos da mulher nos últimos 100 anos e, ainda que haja alguns indicadores positivos, as convidadas para o debate admitiram que há ainda muito caminho para andar. Portugal está em muitos aspetos em lugares vergonhosos em comparação com outros países.

A jornalista Carolina Freitas lançou a pergunta à secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade de Género, Rosa Monteiro, Feminismos, Porquê?, ao que esta respondeu que os feminismos fazem todo o sentido e são promotores de iniciativas. “Eu coloco a palavra no plural. Os feminismos são uma visão crítica que coloca no centro todos os cidadãos, não só as mulheres mas toda a sociedade. É um alicerce fundamental das civilizações. Veja-se o que está a acontecer agora com as nossas irmãs afegãs”, exemplificou.

“Não estamos a tratar de opiniões mas de dados factuais, que pedem medidas concretas. O facto de hoje mais de 40% dos pais partilharem a licença parental foi uma conquista feminista”, continuou. Carolina Freitas salientou alguns progressos. Alguns deles, no entanto, não são o que parecem. “ A partir do 25 de Abril, o Estado retirou a discriminação da lei. Mas a sociedade é muito segmentada, nem sempre se cumpre na vida. Os ideais igualitários da divisão de tarefas, quando vemos estudos, não correspondem. Estamos abaixo em relação à média Europeia”.

“No que toca às quotas, por exemplo, subimos e estamos a subir rápido. No entanto, foi uma conquista difícil, após a mudança da legislação em 2017. Muitos opuseram-se argumentando com a meritocracia, No entanto, subimos 16% no Index”, adiantou. Carolina Freitas acenou com números: as mulheres continuam a ganhar pior (23º no ranking de 28 países) e a sua representação nos lugares de poder coloca-nos em 25º lugar em 28 países.

“Uma mulher que sinta que está a ser discriminada pode agora pedir um parecer à Comissão. Depois é a entidade empregadora que tem de provar se ela é ou não”, respondeu Rosa Monteiro. Nos cargos mais altos, os casos são mais flagrantes. Há mulheres a ganharem menos 243 euros do que os homens. “Quanto mais alto for o cargo, maior é o gap: mais de 400 euros”. Para a artista Labaq, cuja realidade no Brasil é ainda pior, apesar de estar a residir em Portugal, estas são realidades chocantes com as quais também lida. O meio de ripostar é a música.

“Sensibilizar as pessoas é a nossa maneira de mudar mentalidades”. No Brasil, por exemplo, a música “Triste, Louca ou Má” fez um enorme sucesso por “ter uma letra chocante e mexer com a temática da mulher”. “É da autoria de Francisco el hombre e representa bem esse lado de tocar as pessoas, fazê-las pensar”, referiu a cantora.

Conteúdo atualizado em5 de setembro de 2021às 17:39