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Afonso Ribeiro, escritor neorrealista de Vila da Rua, faleceu há 30 anos

13 Dezembro 2023

Residia em Cascais e aí faleceu, faz hoje, quarta-feira, 13 de dezembro, exatamente 30 anos. Afonso Ribeiro era natural de Vila da Rua, Moimenta da Beira, onde nascera a 7 de janeiro de 1911, e foi um dos pioneiros do movimento neorrealista em Portugal, uma corrente literária do século XX marcada por ideologias políticas que descreviam a veracidade social das classes trabalhadoras. Na terra-berço pode ser visitado o "Espaço Afonso Ribeiro", todo dedicado à vida e obra do autor.

O escritor, que fez os estudos em Viseu e no Porto, onde completou o curso de habilitação para o magistério primário, tinha uma visão pastoril sobre o homem do campo e proclamava a necessidade de olhar para o mundo rural com outros olhos, denunciando “o mundo muito mal feito” com “uns com tudo e outros sem nada”. “Homens trabalhando para outros homens, como servos. Será sempre assim?”, questionava, defendendo ”(…) a terra é de quem a trabalha, os campos de quem os cultivava”. Está tudo em “Ilusão na Morte”, editado em 1938, livro de novelas que alguns críticos consideram, em especial as últimas novelas, como marcante e anunciador da nova corrente literária, o neorrealismo.

Em vida publicou 14 livros, entre contos/novelas, romances e dramaturgia, vários proibidos e apreendidos pela Censura: “Ilusão na Morte” (1938), “Plano Inclinado” (1941), “Aldeia” (1943), “Trampolim” (1944), “Escada de Serviço” (1946), “Maria” (trilogia, 1946, 56, 59), “Povo” (1947), “Da Vida dos Homens” (1963), “O Pão da Vida” (2º romance da trilogia “Maria”- 1956), “O Caminho da Agonia” (3º romance da trilogia “Maria” – 1959), “Três Setas Apontadas ao Futuro” (teatro – 1959), “Os Comedores de Fomes” (1983), “África Colonial” (1983)” e “A Árvore e os Frutos” (1986)”.

Emigrou para Moçambique onde conseguiu restabelecer contactos com diferentes escritores neorrealistas onde divulgaram trabalhos em publicações locais. Ao regressar a Portugal, Afonso Ribeiro continuou a escrever e a publicar as suas obras, colaborando sempre com os jornais Diabo e Sol Nascente e, na revista Vértice. Poderá considerar-se que o autor conhecia as desigualdades sociais, as carências das classes desfavorecidas, a escravidão e suas dificuldades, mas foram estas certezas e a visão sobre o homem do campo que o levou a inspirar-se nas suas prosas e traduzir uma mensagem de liberdade e esperança de um futuro propício.

Conteúdo atualizado em13 de dezembro de 2023às 11:55