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Nome promissor da dança europeia apresentou performance no Planalto

31 Agosto 2021

O palco anoitece e a bailarina Tânia Carvalho “torna-se só”. A música que compôs para a sua performance, baseada no texto do escritor Valter Hugo Mãe, Síncopa, alia-se ao som dos saltos altos que batem esporadicamente no chão. Com mais força. Ao de leve. Veste de negro. Cadenciadamente ouvem-se pancadas vindas do piano e a também coreógrafa, nome promissor da dança europeia, parece uma vela ao vento, quando um foco de luz incide sobre ela. A performance foi apresentada na noite do 1º dia do Planalto, no Pavilhão da Escola Secundária de Moimenta da Beira.

Conseguem distinguir-se partes do corpo, braços torneados, as pernas que a roupa permite ver. Tânia executa a sua solidão. No solo, arrastando-se de pé, balançando os braços, sob o jogo de luzes, sempre discreto e inesperado. “Uma reflexão sobre a existência humana e a sua condição”, refere.

O texto de Valter Hugo Mãe é cru: “O coração e as tripas, as pernas e a boca entram para dentro dos ossos. Cada charco de sangue, cada, qualquer canto de olho, as unhas afiadas, até as narinas ofegantes, tudo entra para dentro dos ossos. A superfície opaca dos ossos, pétrea e esfriando, não acusa a presença de ninguém. Assim se fica só. O gesto confinado, interior, quase impossível, um gesto quase impossível, um gesto que é pensamento, apenas pensamento, mas que pode quase tudo”.

Solidão. Artificialmente interrompida quando as luzes se acendem e os aplausos dão lugar à segunda das cinco performances “com conversa”, desta vez com o vice-presidente da Câmara e vereador da Cultura, Francisco Cardia, homem ligado às artes, que conduziu um diálogo com Tânia e o público.

Visualizar todo o programa do Planalto aqui.

Conteúdo atualizado em31 de agosto de 2021às 18:39