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Os conferencistas e as comunicações apresentadas na 1ª Jornada Internacional Aquiliniana, em Soutosa, Moimenta da Beira

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28 Maio 2019

Aquilino Ribeiro já não está nos programas de Português desde a década de 1980, mas há muitos académicos estrangeiros a estudar a sua obra nas universidades e a divulgá-la pelo mundo inteiro. Esta segunda-feira, 27 de maio, 56 anos depois da morte do mestre, três desses estudiosos entre oito especialistas aquilinianos apresentaram comunicações versadas no mundo literário de Aquilino Ribeiro. Foi na 1ª Jornada Internacional Aquiliniana organizada e promovida em Soutosa pelo Centro de Estudos Aquilino Ribeiro (CEAR) e Câmara Municipal de Moimenta da Beira, no auditório da Associação Baldios Terras de Aquilino Ribeiro.

Quatro comunicações de manhã e outras tantas à tarde preencheram o programa da edição de estreia. A primeira foi de Fernando Paulo Baptista que falou “Da importância estratégica do Colégio Jesuíta da Senhora da Lapa para a promoção do imortal Escritor Aquilino Ribeiro e de toda a região metonimicamente denominada de “Terras do Demo” – Uma perspetiva histórica, antropológico-cultural, literária e educativo-formativa, a partir de algumas obras de referência do Autor”. Fernando Paulo Baptista é formado em Filologia Clássica pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Jubilado depois de mais de 40 anos de exercício de funções públicas na docência (ensino secundário e ensino superior) e na orientação e inspecção pedagógicas, foi, desde 1998, professor e investigador do Instituto Piaget (Campus Universitário de Viseu), onde, além da organização de congressos, coordenou as actividades do Centro de Investigação em Língua Portuguesa (CILP), designadamente, a investigação direcionada para a elaboração de dicionários e manuais especializados, a serem editados pelo Instituto Piaget. Tem vários estudos e ensaios publicados nas áreas da língua e da literatura portuguesas, da linguística, da semiótica, da pedagogia e da didática. Membro da Academia das Ciências e da Academia Portuguesa da História.

Claudio Trognoni abordou “A língua de O Malhadinhas: termos regionais, especialísticos e formas da coloquialidade”. Claudio Trognoni é docente de Língua Portuguesa da macroárea de Letras e Filosofia da Universidade Tor Vergata, Roma. Mestre em Língua Portuguesa, licenciado em Literatura Portuguesa com uma tese sobre a versão do Quixote de Aquilino Ribeiro, doutorou-se em 2017 com a dissertação “La narrativa breve di Aquilino Ribeiro: língua e idioletti in Jardim das Tormentas e O Malhadinhas”. É bolseiro Fernão Mendes Pinto, e colabora com a secção cultural da Embaixada de Portugal em Roma.

Silvie Špánková falou de “Entre Éden e Babilónia: O imaginário urbano em Mónica e Maria Benigna, de Aquilino Ribeiro”. Silvie Špánková é professora de Literatura Portuguesa na Universidade Masaryk de Brno, da República Checa, é doutorada pela Universidade Carolina de Praga com uma tese sobre os romances de António Lobo Antunes. Atualmente a sua pesquisa centra-se no estudo da narrativa breve, em especial na sua vertente insólita, fantástica e gótica. Paralelamente, dedica-se à exploração do imaginário urbano, nomeadamente lisboeta, do século XX.

Henrique Almeida lembrou as “Terras do Demo à distância de um século: um romance superlativo“. Hentique Almeida é doutorado em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade Católica de Viseu. Ex-professor desta Universidade, exerce atualmente funções docentes no Instituto Politécnico de Viseu, como professor adjunto convidado. Obteve formação académica na Universidade Nova de Lisboa, na UBI e na Universidade de Coimbra. Integra, como investigador, o CLEPUL (Universidade de Lisboa). Fundador e ex-diretor do Centro de Estudos Aquilino Ribeiro (CEAR), dirigiu também a revista Cadernos Aquilinianos.É responsável pelo Departamento Cultural da Misericórdia de Viseu, tendo assumido as funções de Diretor do Museu desde 2012.

António Manuel Ferreira recordou “O espaço da prisão em O Homem que matou o Diabo, de Aquilino Ribeiro”. António Manuel Ferreira é professor na Universidade de Aveiro, é doutorado em Literatura, com uma tese sobre Branquinho da Fonseca. Fundou e dirige a revista Forma Breve. Coordenou o projeto FCT Teografias – literatura e religião. Tem lecionado em cursos de pós-graduação (Mestrado e Doutoramento) em Moçambique e no Brasil.

Carlos Nogueira abordou a “Terçã o parta lá longe, que há de morrer a dar coice!”: a “praga” da tradição oral portuguesa e a “praga” nos romances de Aquilino Ribeiro”. Carlos Nogueira rege, juntamente com o Prof. Burghard Baltrusch, a Cátedra José Saramago da Universidade de Vigo, em cuja Faculdade de Filologia e Tradução leciona disciplinas na área dos Estudos Portugueses e Brasileiros. Tem publicado livros de ensaio em editoras como a Imprensa Nacional – Casa da Moeda, a Fundação Calouste Gulbenkian, a Porto Editora, as Edições Lusitânia e a Livraria Lello.

Nazaré Matos falou de “A vitalidade do espaço nos contos de Aquilino”. Nazaré Matos é Mestre em Estudos Portugueses pela Universidade de Aveiro (2010), com uma dissertação sobre os contos de Aquilino Ribeiro. Recebeu, em 2015, o Prémio Nacional Aquilino Ribeiro. Exerce, desde 1981, funções como docente do ensino secundário.

Finalmente José Carlos Seabra Pereira enfatizou sobre “O apelo do regionalismo em tempos citadinos”. José Carlos Seabra Pereira é professor Associado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, desempenhou, entre outros, os cargos de Presidente da Comissão Científica do Grupo de Estudos Românicos, Diretor do Instituto de Língua e Literatura Portuguesas e Membro da Comissão Coordenadora do Conselho Científico da FLUC. Entre as suas publicações destacam-se: "L’action littéraire et l’œuvre poétique de Joao de Barros", Poitiers, 1984, 794 pp.; "O Essencial sobre António Nobre", Lisboa, INCM, 2001; "O Neo-Romantismo na Poesia Portuguesa (1900-1925)", Lisboa, INCM ; "António Nobre - Projecto e Destino", Porto, Ed. Caixotim, 2000; "Do Fim-de-século ao Modernismo" (vol. VI de História da Literatura Portuguesa), Lisboa, Publ. Alfa, 2002. Diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC), sucedendo a José Tolentino Mendonça. Além de coordenador científico do Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos, é membro do Conselho Geral da Universidade de Coimbra, curador da Casa da Escrita, também na Lusa Atenas, consultor e supervisor de vários projetos de investigação de Centros da FCT e diretor da revista "Estudos".

Fernando Paulo Baptista
Claudio Trognoni (à esq.)
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Silvie Spánková
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Henrique Almeida
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António Manuel Ferreira (à ditª.)
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Carlos Nogueira
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Nazaré Matos
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José Carlos Seabra Pereira
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José Eduardo Ferreira, Presidente da CM de Mtª da Beira, e António Manuel Ferreira, Presidente do CEAR, na sessão de abertura
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