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Neto de Aquilino Ribeiro leva-nos a uma visita guiada à Casa Museu de Aquilino, em Soutosa

12 Jun '18
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É uma oportunidade de ouro. Aquilino Machado, neto de Aquilino Ribeiro, leva-nos dia 12 de junho, a partir das 15h00, a uma visita guiada à Casa Museu de Aquilino, em Soutosa, Moimenta da Beira, a partir do mapa de uma geografia emocional e literária. Os objetos, os percursos, as rotinas, a biblioteca, a memória de encontros com as grandes figuras da primeira metade do século XX, cuja presença nos livros alimentam esta visita e um discurso que tem um eco emocional no próprio Aquilino Machado: Soutosa era o local de férias da sua família, além de ser a terra de adoção do seu famoso avô. Geógrafo de formação, Aquilino Machado é um dos grandes cuidadores da obra do autor de “O Malhadinhas”.

A visita, que tem o apoio da Câmara Municipal de Moimenta da Beira, insere-se na iniciativa "SOMOS DOURO", promovida pela CCDR-Norte, a Comunidade Intermunicipal do Douro e a Liga dos Amigos do Douro Património Mundial no âmbito da classificação do Alto Douro Vinhateiro Património Mundial. Comissariada por Anabela Mota Ribeiro, jornalista natural da região, esta ação foi desenhada para envolver a população do território num festival que inclui um fórum, conversas, roteiros, oficinas e espetáculos nos 19 concelhos do Douro. É cofinanciada pelo NORTE 2020, no âmbito do Portugal 2020 e através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.

Aqui se deixa a sinopse da visita à Casa-Museu Aquilino Ribeiro escrita pelo próprio neto. "A paisagem que viu nascer Aquilino Ribeiro e que serve de base à criação simbólica da sua obra literária mistura-se com a parte da meseta castelhana impondo uma sinfonia áspera por força “das suas tempestades de penedos suspensos de morros e encostas”. É neste amparo sentimental que se encontra a aldeia de Soutosa e a pequena propriedade onde o meu avô Aquilino passava os longos dias de Verão, tão matizados pela tonalidade azul, “este azul dos céus profundos que parece ir lavar-se ao mar e como uma gaze envolve tão diafanamente o velho Portugal”.

Neste itinerário que projetamos para a Fundação Aquilino Ribeiro faremos uso das memórias que nela se entalham, quase como se pegássemos em fotografias soltas de um velho álbum familiar, para através delas falarmos do cortejo de recursos duradouros que embalam a sua cartografia literária e emocional.

E nela traremos também a repetição de fotogramas familiares revelados nas férias grandes quando rumava com os meus pais e irmãs para a canícula destas Terras do Demo, ou seja, para o “sol comburente de Agosto”.

Intensas geografias sentimentais que se misturam e se encontram assombrosamente caldeadas na obra de Aquilino, “numa turbulenta paixão de contar”, como sumariou José Cardoso Pires. Paisagens que renascem a cada leitura que realizamos".